Os contratos futuros de café arábica negociados na ICE Futures US interrompem nesta quarta-feira a escalada de ganhos verificada desde a semana passada, na esteira de algumas vendas básicas de especuladores e fundos. Há pouco, a posição setembro tinha queda de 140 pontos, com 135,80 centavos de dólar por libra peso, depois de tocar a mínima de 135,15 centavos, ao passo que o dezembro registrava baixa de 135 pontos.
De acordo com analistas internacionais, a sessão é caracterizada por algumas correções, depois de ganhos significativos experimentados recentemente. As baixas são técnicas e o setembro conseguiu integralmente se manter acima do referencial de 135,00 centavos ao longo de toda a manhã. A abertura do dia se deu com altas, mas o fôlego dos compradores se mostrou mais limitado que na terça-feira, com a máxima não indo além de 138,05 centavos. A partir desse patamar ocorreram alguns acionamentos de ordens de venda e as baixas passaram a ser observadas. No segmento externo, dia de retração para as bolsas de valores nos Estados Unidos. Nas commodities softs, baixas para cacau, café, algodão e açúcar, como suco de laranja.
“O mercado continua atento ao clima, mas também temos variáveis importantes a serem levadas em conta, como é o caso da desvalorização da moeda chinesa, algo que está movimentando a economia internacional ao longo desta semana. Numa leitura geral, o café parece ter retomado a sustentação, principalmente diante do temor de que a seca pode afetar a produção e o desenvolvimento de frutos em várias zonas produtoras, incluindo locais estratégicos, como o Brasil, América Central, Vietnã e Indonésia. Dentro desse contexto, a tendência é termos um cenário mais sustentado, ao menos no curto prazo”, disse um trader.
A colheita de café da safra 2015/2016 do Brasil avança nas principais regiões produtoras, mas continua atrasada em relação a anos anteriores. Na última semana, o clima mais seco até deu mais ritmo aos trabalhos no campo. Entretanto, o cenário atual, segundo cafeicultores, está bem complicado. O principal impacto é visto no tamanho dos grãos (peneira), que estão bem menores e interferem no rendimento e nos valores pagos pelo café arábica. Em média, são gastos 25% a mais de grãos para completar uma saca beneficiada do produto. No sul de Minas, a Cocatrel (Cooperativa dos Cafeicultores da Zona de Três Pontas) indicou que os cafeicultores têm relatado que apenas 8% a 15% dos cafés tem peneira de 17 acima. Enquanto em anos normais esse número chegava a 30%.
As exportações brasileiras no mês de agosto, até o dia 11, totalizaram 377.755 sacas de café, queda de 39,78% em relação às 627.334 sacas embarcadas no mesmo período do mês anterior, de acordo com informações do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil).

Fonte: http://www.agnocafe.com.br/noticia?id=80363

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